
"E eu me sinto feliz e grata por tudo, vejo amor, maestria, chance de aprendizado, em cada ínfima coisa que me acontece. Ainda que chova, e às vezes chove muito, a memória da ternura luminosa e imutável do sol me faz lembrar da natureza preciosa da vida. O sol não vai a lugar nenhum, ele fica exatamente onde está, mas a nuvem, a chuva, sempre passam. Tem dia em que eu acordo lindeza e coloco bobagem pra dormir porque a nítida prioridade é a harmonia do meu coração, o contentamento natural capaz de me nutrir, proteger e me ajudar a seguir." — Ana Jácomo.
"Às vezes, na estranha tentativa de nos defendermos da suposta visita da dor, soltamos os cães. Apagamos as luzes. Fechamos as cortinas. Trancamos as portas com chaves, cadeados e medos. Ficamos quietinhos, poucos movimentos, nesse lugar escuro e pouco arejado, pra vida não desconfiar que estamos em casa. A encrenca é que, ao nos protegermos tanto da possibilidade da dor, acabamos nos protegendo também da possibilidade de lindas alegrias. Impossível saber o que a vida pode nos trazer a qualquer instante, não há como adivinhar se fugirmos do contato com ela, se não abrirmos a porta. Não há como adivinhar e, se é isso que nos assusta tanto, é isso também que nos dá esperança." — Ana Jácomo.
"São saudades de um mundo contente feito céu estrelado. Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde a gente se sente tranquilo como se descansasse num cafuné. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza." — Ana Jácomo.
"Somos feitos para a felicidade. Para a troca. Para a paz. Para a bondade. Para facilitarmos a existência uns dos outros. Para a coragem e a alegria de simplesmente ser." — Ana Jácomo.
"E quando eu percebi, eu era feliz. Naquele instante, ri como uma criança faz ao saborear a delicia da própria travessura. Ser feliz é a melhor arte que podemos nos flagrar aprontando. Quando estamos relaxados fica mais fácil sentir que a alegria não vem só do brinquedo: Começa em quem brinca. Nós, adultos, nos esquecemos que a felicidade já é. Que está disponível mesmo quando não conseguimos acessá-la. Que mora nas coisas mais simples do mundo. Essas aqui, bem próximas do nosso alcance." — Ana Jácomo.
"É preciso ter olhos frescos para sermos capazes de admirar belezas aparentemente antigas. A beleza envelhece quando o olhar da gente perde o viço.Toda beleza é capaz de vestir roupa nova porque outro também é o nosso olhar. Não ignoro o sofrimento, não banalizo as dores que a gente sente, que não são poucas. Como a maioria de nós, num único dia, visito territórios dos mais diversos sentimentos e às vezes é bem difícil experimentar alguns deles. Mas, eu acho que, à parte os embaraços do caminho, quando a gente se fecha para a beleza do mundo, a vida fica insípida. Quero continuar a ter esse olhar capaz de se encantar com coisas que vê mesmo quando, particularmente, a minha história se torna difícil de ser lida. Por elas, largo as sacolas do supermercado no chão para, por alguns instantes, ser apenas aquela que as contempla. Os problemas continuam, mas o coração ganha um doce que muitas vezes nos ajuda a temperar os amargos." — Ana Jácomo.
"Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar." — Ana Jácomo.
"Foi quando começou a não se importar tanto de sentir tanto medo, que ouviu o convite, ainda tímido, quase sussurro, do próprio coração, esse sabedor do que, de verdade, importa: “Volta, com medo e tudo”. Foi. E começou a redescobrir que coragem, na maioria das vezes, é apenas voltar para o próprio coração. (…) É apenas sair do lugar (…). É apenas seguir. Com medo e tudo." — Ana Jácomo.
"Porque é isso: quando sorri, eu tenho a impressão de que apertaram o interruptor que acende o sol, pois tudo clareia ao seu redor. Quando fala, eu tenho a impressão de que toda a vida canta a música bonita que a sua alma diz. Quando silencia, eu tenho a impressão de que todas as coisas adormeceram um pouquinho até você acordá-las outra vez." — Ana Jácomo.
"Tenho aprendido com o tempo coisas que somente com o tempo a gente começa a aprender. Que o encontro amoroso, para ser saudável, não deve implicar subtração: deve ser soma. Que há que se ter metas claras, mas, paradoxalmente, como alguém me disse um dia, liberdade é não esperar coisa alguma. Que a espontaneidade e a admiração são os adubos naturais que fazem as relações florescerem. Que olhar para o nosso medo, conversar com ele, enchê-lo de cuidado amoroso quando ele nos incomoda mais, levá-lo para passear e pegar sol, é um caminho bacana para evitar que ele nos contraia a alma. Tenho aprendido que se nos olharmos mais nos olhos uns dos outros do que temos feito, talvez possamos nos compreender melhor, sem precisar de muitas palavras. Que uma coisa vale para todo mundo: apesar do que os gestos às vezes possam aparentar dizer, cada pessoa, com mais ou menos embaraço, carrega consigo um profundo anseio por amor. E, possivelmente, andará em círculo, cruzará desertos, experimentará fomes, elegerá algozes, posará de vítima para várias fotos, pulará de uma ilusão a outra, brincará de esconde-esconde com a vida, até descobrir onde o tempo todo ele está." — Ana Jácomo.
"Quando abro os olhos e fecho o sono, gosto de ter um tempo para me acostumar com a ideia de levantar. Alguns minutos para me espreguiçar um pouco. Para tentar dizer minhas preces, sempre improvisadas, com sentimento, apesar da mínima capacidade de elaboração antes do sonhado primeiro gole de café puro e meio amargo. Quando consigo, mesmo com palavras trôpegas, uma das vontades que costumo afirmar é a de que, por maior que às vezes seja a tentação, eu não desista de mim e nem do que realmente me importa.
Esse é o meu ideal, mas não é raro eu levantar assustadíssima, num pulo de fazer a coluna achar que enlouqueci, depois que descubro que o despertador já tocou, que eu não ouvi o toque nem no sonho, que poucos minutos me afastam de algum compromisso de hora marcada, e que já estou atrasada, por mais que eu me apresse. Detesto começar o dia correndo, não tenho vocação nenhuma para maratonista, nem fôlego. Detesto começar o dia em débito com o tempo. Detesto começar o dia na contramão de algum jeito de paz.
Mas quando encontro a manhã com alguma tranquilidade, mesmo cheia de preguiça, mesmo não dizendo coisa com coisa, mesmo sem despertar completamente até o primeiro café, existe algo que me entusiasma sempre que consigo lembrar: a ideia de que, à parte o que eu fiz do dia anterior, a vida está me dando a oportunidade de outro novinho. Na correria, a gente esquece que existe uma dádiva em atravessarmos a noite e acordar mais uma vez, essa de ainda termos tempo, embora não saibamos quanto, para tentar fazer de maneira parecida o que vale ser repetido e de jeito diferente o que precisa ser mudado.
Página em branco, o dia nos olha com olhos receptivos, espera que, como ele, saibamos ser novos e cheios de possibilidades. Que saibamos despertar a nossa coragem mais linda, a nossa criatividade, a nossa força que também sabe ser terna, para viver mais um capítulo inédito da história que, a cada instante, escrevemos por aqui. Que saibamos aproveitar o presente." — Ana Jácomo.
Esse é o meu ideal, mas não é raro eu levantar assustadíssima, num pulo de fazer a coluna achar que enlouqueci, depois que descubro que o despertador já tocou, que eu não ouvi o toque nem no sonho, que poucos minutos me afastam de algum compromisso de hora marcada, e que já estou atrasada, por mais que eu me apresse. Detesto começar o dia correndo, não tenho vocação nenhuma para maratonista, nem fôlego. Detesto começar o dia em débito com o tempo. Detesto começar o dia na contramão de algum jeito de paz.
Mas quando encontro a manhã com alguma tranquilidade, mesmo cheia de preguiça, mesmo não dizendo coisa com coisa, mesmo sem despertar completamente até o primeiro café, existe algo que me entusiasma sempre que consigo lembrar: a ideia de que, à parte o que eu fiz do dia anterior, a vida está me dando a oportunidade de outro novinho. Na correria, a gente esquece que existe uma dádiva em atravessarmos a noite e acordar mais uma vez, essa de ainda termos tempo, embora não saibamos quanto, para tentar fazer de maneira parecida o que vale ser repetido e de jeito diferente o que precisa ser mudado.
Página em branco, o dia nos olha com olhos receptivos, espera que, como ele, saibamos ser novos e cheios de possibilidades. Que saibamos despertar a nossa coragem mais linda, a nossa criatividade, a nossa força que também sabe ser terna, para viver mais um capítulo inédito da história que, a cada instante, escrevemos por aqui. Que saibamos aproveitar o presente." — Ana Jácomo.
"Tinha um jeito singular de fechar os olhos quando experimentava emoção bonita, coisa de segundos e coisa imensa. Era como se os olhos quisessem segurar a lindeza do instante um bocadinho, o suficiente para levá-lo até o lugar onde o seu sabor nunca mais poderia ser perdido. Eu via, olhos do coração abertos, e nunca mais perdi de vista o sabor desse detalhe. Porque quem ama vê miudezas com olhar suficiente pra nunca mais se perderem." — Ana Jácomo.
"Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas." — Ana Jácomo.